O Catálogo MicBR

O Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR) é um megaevento de negócios, promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que vai reunir os setores culturais e criativos do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. A primeira edição do evento, será realizada de 05 a 11 de novembro de 2018 em São Paulo e abrange dez setores da economia criativa: artes cênicas, audiovisual, animação e jogos eletrônicos, design, moda, editorial, música, museus e patrimônio, gastronomia e artes visuais.

A fim de estimular permanentemente o setor produtivo cultural, e ampliar a possibilidade de intercâmbio e negócios entre países, o MicBR apresenta seu Catálogo, com informações dos participantes. A proposta é reunir informações das empresas, empreendedores, compradores e especialistas de mercado dos oito países participantes do MicBR.

Leia abaixo a carta do Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, sobre a importância do MicBR.

 

 

Economia criativa é desenvolvimento

Por Sérgio Sá Leitão, Ministro de Estado da Cultura.

 

Bem-vindo(a) à primeira edição do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil! Trata-se de uma iniciativa do Ministério da Cultura e da Apex, com a parceria de dezenas de instituições e a participação de sete países sul-americanos. São cerca de 200 ações voltadas ao fortalecimento da economia criativa brasileira. O investimento feito (R$ 4 milhões) deve gerar, segundo a FGV, um impacto econômico de quase R$ 40 milhões. Todas as nações desenvolvidas investem neste setor; e aqui faz mais sentido ainda, considerando o elevado potencial de crescimento.

As atividades culturais e criativas são vocações da sociedade brasileira e constituem um setor dinâmico da economia e da vida social do país. Apresentam elevado impacto sobre a geração de renda, emprego, exportação, valor agregado e arrecadação de impostos. Têm ainda uma influência crescente no dia a dia dos cidadãos, contribuindo decisivamente para a formação e a qualificação dos indivíduos, o reforço dos elos identitários e a construção de uma imagem positiva do Brasil. Produzem ativos com duplo benefício: econômico e social.

São vitais também para o crescimento de outros setores, como turismo, tecnologia e as telecomunicações. Constituem, portanto, um vetor de promoção de desenvolvimento, para o qual o Brasil demonstra imenso potencial. O país tem poucos competidores na arena global em termos de intensidade e diversidade culturais. Reúne todas as condições, portanto, para se tornar uma das maiores potências culturais e criativas do planeta no Século 21. Para isso, precisa aproveitar melhor e rentabilizar ainda mais seus inúmeros ativos neste campo.

Nos últimos dois anos, o Ministério da Cultura procurou fazer a sua parte, adotando como eixo central de atuação o reconhecimento, a valorização e o estímulo da dimensão econômica das atividades culturais e criativas, procurando evidenciar e aprofundar as contribuições do setor para o desenvolvimento do Brasil. Sem deixar de lado as demais dimensões do campo cultural e criativo, sobretudo no que diz respeito à preservação e à revitalização do patrimônio cultural brasileiro, material e imaterial; e à ampliação do grau de acesso a bens e serviços culturais.

Diversos programas e ações foram criados ou aperfeiçoados para dar uma consequência prática a esta decisão. E a dimensão econômica foi incluída em todas as iniciativas do MinC. Nada mais natural, considerando que as atividades culturais e criativas geram 2,64% do PIB brasileiro e são responsáveis por mais de um milhão de empregos formais diretos, segundo estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, com base em dados do IBGE. Há no setor cerca de 250 mil empresas e instituições. E um imenso potencial de crescimento, que pode ser maximizado.

De acordo com estudo da consultoria PricewaterhouseCoopers, as atividades culturais e criativas cresceram entre 2012 e 2016 no Brasil a uma taxa média anual de 9,1%, bem acima do conjunto da economia. A participação no PIB, por sua vez, é superior à de setores tradicionais, que costumam ser mais reconhecidos pelo governo e pela sociedade como contribuintes do desenvolvimento do país, como as indústrias têxtil e de eletroeletrônicos. Tais dados evidenciam a importânciado setor, do MinC e do investimento público e privado nesta seara.

Por isso, ao realizar o planejamento estratégico da gestão, definimos esta missão para o MinC: “Fortalecer as atividades culturais e criativas em todas as regiões brasileiras, elevando sua contribuição para o desenvolvimento do país”. E apontamos a seguinte visão: “Ser uma instituição relevante para o setor, o governo e a sociedade, afirmando o sentido estratégico da política cultural e ampliando seus resultados.” Eficiência, eficácia, ética, transparência e impessoalidade foram definidos como os valores que devem pautar a atuação do MinC.

Estabelecemos ainda dez diretrizes, e desde o início procuramos realizá-las com dedicação e rigor: 1) Melhorar a gestão e o controle de processos; 2) Ampliar o diálogo e pacificar o setor; 3) Valorizar a economia criativa; 4) Reduzir e corrigir o imenso passivo de gestões anteriores; 5) Aperfeiçoar e desburocratizar o fomento: 6) Maximizar recursos e superar 99% de execução orçamentária; 7) Ampliar a articulação no governo e no Congresso: 8) Tornar o MinC mais ativo epresente: 9) Mudar modelos de gestão e governança; e 10) Trabalhar com estados e municípios.

Procuramos também dar um perfil essencialmente técnico ao MinC, valorizando servidores e convidando especialistas na área para compor a equipe; priorizando a entrega e a melhoria do que estava parado ou em andamento, buscando evitar desperdícios; rompendo o isolamento político e social em que o MinC se encontrava; focando na gestão e na busca de resultados concretos; implementando uma política cultural de estado e não apenas de governo, visando a continuidade; e trabalhando com total zelo pela coisa pública, em colaboração direta com os órgãos de controle.

O MinC cumpre hoje um papel significativo no estímulo ao crescimento da economia criativa e à valorização e preservação do patrimônio cultural, bem como na ampliação do acesso a bens e serviços culturais e criativos. A missão, a visão e as diretrizes definidas no planejamento se materializaram ao longo de 2017 e 2018, constituindo um acervo significativo de resultados e realizações. O passivo foi reduzido. A gestão, aperfeiçoada. O diálogo, ampliado. E os resultados, elevados.

Este trabalho deve ser aprofundado, de modo a potencializar política culturalestimular crescimento da economia criativavalorizar e preservar o patrimônio e ampliar o acesso, contribuindo ainda mais para o desenvolvimento do país. Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar esta vocação e este conjunto de ativos. Trata-se de um diferencial competitivo do Brasil, convergente com as características essenciais do capitalismo pós-industrial do Século 21 e da revolução digital.